sábado, 29 de novembro de 2014

Defesas baixas, muros derrubados, pontes desimpedidas...

Já conheceu alguém que enche os pulmões e grita aos quatro cantos: 'Sou o que sou, quem tiver que gostar vai gostar' ou, 'Nunca mude por nada nem por ninguém, quem gosta de você te aceita como é'. Tenho medo disso... Tenho medo de pegar o vírus 'Eu nasci assim, vou morrer assim! Gabrieeeela...' Quero conviver com gente que me questione com respeito, que me leve a olhar além dos meus olhos, que me faça pensar fora da caixinha, que quebre meus 'pré-conceitos' sem precisar levantar a voz, que me tire da minha zona de conforto segurando na minha mão, que me desafie com um sorriso... Gostaria de mudar pra melhor todos os dias! Gostaria de conviver com pessoas que me ajudem a construir uma melhor versão de mim mesma a cada dia. Maaaas... Claro que há em nós peculiaridades que são parte do que nos fazem seres únicos e devemos preservá-las. Mas absolutamente TUDO que nos dispormos a mudar, com a ajuda de Deus, será mutável! Sabe qual considero nossa maior dificuldade?! Entendermos que precisamos de uma combinação de fatores 'internos e externos' para que isso aconteça. O 'interno' é nossa própria vontade e percepção que há necessidade de mudança e é totalmente controlado por nós mesmos. O 'externo' já nos incomoda porque não depende, nem é controlado por nós... Envolve o agir de Deus pra moldar nosso caráter, quebrando orgulho, prepotência, falta de dependência nEle. Envolve outras pessoas: a família, o namorado/marido, os amigos, o chefe, os colegas de trabalho... Inclusive o meio em que vivemos: cultura, país, classe social, grupo religioso. Meterem o dedo na nossa vida, nos criticarem, apontarem nosso erro, cutucarem nossa ferida é o fim... Naaaaaada! Esse é o começo!!! Começo da mudança!!! Todo começo é um 'parto' e envolve contrações, dores, sangramento, suor... Não gostamos desse negócio! Conversando com uma amiga que acabara de dar a luz, percebi que dentro de um mesmo 'parto' a experiência pode mudar de acordo com a abordagem. Ela me contou que no mesmo dia, dentro do mesmo trabalho de parto, passou por dois médicos diferentes. A primeira médica foi super grosseira, não a abordou com empatia e tratou com desprezo a dor envolvida no processo do parto, que era uma mudança de vida pra ela. O segundo médico já usou de outra abordagem. Ofereceu anestesia, usou de palavras de incentivo, indicou a melhor posição, demonstrou empatia e a fez senti segura pra encarar a dor necessária para que enfrentasse o parto da forma mais tranquila e natural possível. A forma como cutucam nossa ferida faz graaaande diferença! Quem cutuca com dedo sujo faz a ferida crescer, quem cutuca com dedo limpo ajuda cicatrizar! Eu já vivi isso em várias situações. Quem me aparece com tom de voz mais alto, de forma autoritária, dono da verdade apontando uma direção que não estava seguindo não funciona comigo. Pelo menos não de imediato. Me fecho mais do que qualquer muro separatista! Caio na defensiva! Pode até ser que, uns dias depois, eu entenda a mensagem e consiga ao menos refletir na ideia, mas na maioria das vezes mais atrapalha do que ajuda... Por outro lado, quem usa de mansidão, empatia, reflexão e carinho muito consegue mexer em mim. Esse tipo de gente não gera em mim mudanças só porque tem a razão, mas porque demonstram ter também coração. Posso até demorar uns tempos pra digerir a informação e entender que o 'cutuque' na ferida era para levar à cura, mas com certeza mais ajuda do que atrapalha... Dizem que há mudanças que são mera consequência do passar do tempo. Mas há quem passe pelo tempo sem se permitir adocicar pelo amadurecimento e continuam verdes, duros e azedos. Pra mim, quem se recusa a mudar, se recusa a crescer! Nessa época de fim de ano sempre gostamos de fazer promessas e sonhar novos sonhos. Dentre muitos sonhos novos e antigos, gostaria de topar com gente que me ajude a fazer de mim uma pessoa melhor. Mudar! Fazer dos meus lagartos, borboletas! Evoluir o que sou para o que Deus deseja que eu seja... Que Ele, e quem mais se dispôr, encontre minhas defesas baixas, meus muros derrubados e pontes desimpedidas... Que eu saiba ouvir para compreender, não para dar uma resposta... Que eu entenda que as coisas não precisam ser 'do meu jeito' para serem boas... Quem quiser somar, seja muito bem vindo!