domingo, 29 de setembro de 2013

Helicóptero, Alcatraz, Silêncio!!! Shiiiii...

Há uma semana está oficialmente encerrada a temporada no Alasca! Fechei meu tempo glacial com chave de ouro!!! Fizemos um super emocionante tour de helicóptero, voando sobre as montanhas congeladas... Com gelo, muitíssimo gelo! Bebemos da puríssima água das fontes glaciais... E se dizem que há não sei quantos tons de branco, acho que consegui ver pelo menos a metade de todos os tons possíveis!! Só não vi todos, porque fiquei muito emocionada e me desconcentrei na conta... Tentamos fazer o passeio de trenó com aqueles cachorros dos filmes de "Sessão da Tarde", mas não rolou... Como estávamos no fim da temporada, a neve já havia derretido demais e o passeio com as belezuras caninas foi inviável... :-( Mas as emoções do voo de helicóptero foram suficientemente memoráveis e só tirei 128365688276 fotos pra tentar registrar um pouquinho... Nesta última semana já estamos cruzando por outras bandas... As emoções desta semana ficaram por conta de São Francisco, não o santo, mas a cidade... Saímos do navio bem cedinho pra tentar aproveitar cada segundo! Pegamos um ônibus "Hop on Hop off" e pudemos ver um pouquinho de tudo na cidade. Na hora de partir, o navio cruzou por debaixo da famosa ponte "Golden Gate" e juro que por alguns centímetros parecia que o navio iria tocá-la!!! Muuuuuito legal!!! Mas a emoção maior de São Francisco não ficou por conta da ponte, ficou por conta da Ilha de Alcatraz!!! Fomos visitar a famosa Penitenciária Alcatraz!!! O lugar já foi de tudo um pouco: o primeiro forte militar da costa americana, reserva natural de aves nativas (daí o nome Alcatraz)... Devido a pouca utilidade do forte depois de finalizada a batalha territorial na costa da Califórnia, decidiram fazer do lugar uma prisão de segurança máxima. A ideia parecia interessante pelo fato do lugar já ser isolado por todos os lados por águas geladas e com correntes marítimas muito fortes. A própria estrutura do terreno é rochosa, o que já dava ainda mais ideia de força e segurança, daí o apelido de "A Rocha" que Hollywood fantasiou com a atuação de Nicolas Cage. Mas os custos para manter um prisioneiro em Alcatraz era três vezes mais alto do que em qualquer outra prisão americana, e por isso, depois de algumas décadas a prisão foi desativada. A ideia era mandar pra Alcatraz os piores dos piores... Depois da desativação, os guardas e os prisioneiros ganharam uma certa "fama" e relatam em detalhes como era o dia a dia dos detentos... As celas eram individuais e minúsculas, com espaço para uma cama, um vaso sanitário e uma pia... O banho era permitido no máximo duas vezes por semana... O tempo ao ar livre para exercícios e recreação era raríssimo... Mas uma coisa que chamou muito minha atenção foi o relato de um presidiário que disse que pra ele, a maior tortura não era nada comparada a solidão do silêncio. A Regulação 30 de Alcatraz diz: "Conversas em voz alta, gritos, sussurros, cantos ou QUALQUER barulho desnecessário NÃO SERÁ PERMITIDO." Ficar dias confinado ao lado de outras pessoas, separados por uma parede e algumas grades sem poder se comunicar com os outros... Sem poder cantarolar uma musiquinha... Sem poder descobrir sequer o nome de quem dorme do outro lado da parede porque na verdade, você é só um número e nem tem mais nome! Nenhum barulho!!! Nenhum som!!! Nenhuma voz!!! Isso era a pior tortura... Dizem que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose... Doses de silêncio fazem bem a alma, levam à introspecção e auto conhecimento... Uma overdose de silêncio pode ser fatal!!! Não é que até criminosos impiedosos capazes de coisas horrorosas sentem-se torturados pela falta de diálogo?!? Qualquer tipo de gente, até os de pior espécie, precisam falar e se sentir ouvidos... Fiquei pensando... Me identifiquei com aquele prisioneiro!!! Nem o nome, ou número, que o identificava no depoimento e não faço a menor ideia de que tipo de crime ele cometeu pra estar lá... Mas eu me vi nele... Vi que independente da nossa história, temos as mesmas necessidades... Preciso de conversa! Preciso de diálogos... Se alguém costumava conversar comigo frequentemente e desaparece, eu sinto falta... Fico já imaginando "O que eu fiz?", "Falei algum coisa errada?"... Me apaixono por pessoas só pelo jeito de falar, a entonação, os vícios de linguagem particulares, o sotaque, o jeitinho só aquela pessoa tem... De olhos fechados, tento trazer a memória o som da voz de quem não posso ouvir com a freqüência que gostaria... As doses de silêncio são importantíssimas pro auto conhecimento e pra nos permitir ouvir a voz que vem de dentro, soprada pelo Espírito de Deus... Mas mesmo a mensagem desta Voz não nos é enviada para que a guardemos, mas para que possamos dividir... Contar aos outros as boas novas!!! Alguns além de voz falada, tem a habilidade da voz cantada... Coisa linda é conversar com música... Outros transformam a fala em letras, desenhos, pinturas, danças... No fim toooodo mundo tá procurando um jeito de contar ao mundo alguma coisa... Essa é uma necessidade que explode pela garganta... Até de um Sr. Criminoso confinado em Alcatraz... No fim toooodos iguais...

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Ganhei meu dia...

Podem achar muita pretensão... Mas do fundo do coração, acredito que Deus pode mover fisicamente terra e céu para que coisas nos aconteçam e pessoas cruzem nosso caminho! Não tô falando de destino, coincidências ou forças do acaso... (até porque não acredito em nada "acidental" ), mas de Deus te colocar em situações planejadas por Ele para te abençoar. Hoje minha manhã não aconteceu como gostaria... Eu e uma amiga havíamos planejado um passeio que acabou não dando certo porque ficamos presas num treinamento que parecia infinito dentro do navio. Acabou que só tivemos cerca de duas horas pra sair do navio e fazer alguma outra coisa mais curta... E acabamos visitando um museu em Skagway (Alasca) que acabou sendo uma ótima experiência! Voltamos pro trabalho às pressas e minha agenda já estava preenchida com meus atendimentos do dia. A segunda pessoa que atenderia nesta tarde era um simpático senhor, na faixa dos seus 60... Me apresentei, e levei pra minha sala. Já nos primeiros minutos ele já foi contando a vida toda... Que tava com uma dor nas costas porque costuma andar muito de moto... E da dor nas costas já emendou na família de três filhos e nove netos... E que uma vez por ano, ele e dois amigos saem motocando mais ou menos sem rumo certo com o único propósito de ajudar qualquer pessoa que precise de ajuda pelo caminho. Ele, ainda trabalhando como cabeleireiro/barbeiro economiza durante todo o ano e investe suas economias nesta viagem. Acredita que a religião é como um veículo que pode te ajudar a chegar a algum lugar, mas que não passa de um veículo... E na verdade o que interessa é o caminho ou melhor, "O Caminho" e a direção que tomamos... Procura levar o amor de Deus às pessoas que cruzam seu caminho! Me contou que em uma de suas viagens encontrou um casal jovem de brasileiros parados na estrada com um carro quebrado. Ele e o amigo pararam e simplesmente se aproximaram com uma pergunta e um sorriso "Em que eu posso ajudar??". Pagaram um hotel pro casal se hospedar enquanto o carro era concertado, pagaram e ajudaram eles mesmos a concertar o carro, providenciaram alimentação e tudo o que o casal precisava até seguirem viagem. Logo de início, o jovem casal perguntou aos senhores motoqueiros: "Por que vocês estão dirigindo pelo país ajudando pessoas que nem conhecem?!", e eles responderam: "Por que não?!?". Disse imaginar que aqueles "estranhos" sejam conhecidos e queridos por outras pessoas e que se seus próprios conhecidos, queridos estivessem em alguma situação precisando de ajuda, gostaria que quem estivesse por perto ajudasse-os! E afinal... Por que não?! Justifica seus atos em uma coisa: amor! Ama pessoas, ama a história das pessoas, ama compartilhar o amor que sente recebido de Deus com os outros... Disse que fazer o bem só por "caridade" não é de todo bom... Temos que olhar pro outro como se fosse um pedaço do próprio Deus! No meio do tratamento... Depois de alguns segundos de silêncio, soltou essa: "Ah! E não se case com alguém que não seja completamente apaixonado por Deus! Se um homem não sabe amar a Deus, nunca saberá amar uma mulher!" Respirei fundo, e tentei continuar concentrada em ajudá-lo com sua dor nas costas... Afinal era esse o propósito do atendimento! Mas no final, acho que a dor nas costas foi só uma desculpa que Deus usou pra mandar um senhorzinho nos seus 60 anos pra alimentar minha alma... Conversamos sobre muito mais do que sou capaz de traduzir em palavras aqui... E nem preciso contar que olhos marejaram... E de uma coisa eu estou certa: não há nada mais espetacular neste mundo do que pessoas... Pessoas que tem história pra contar... Que olham nos olhos pra conversar... Que escolhem amar mais aos outros do que a si mesmo... Que nunca estão cansadas de dividir o que na verdade quanto mais se reparte mais se multiplica: AMOR! Ganhei meu dia... Um dia quero fazer alguém "ganhar um dia" também...