terça-feira, 23 de abril de 2013

Espiar... Expôr... Moldar... Mudar...

Quanto mais eu espio o mundo, mais me convenço que há muito mais a ser espiado... Depois de passarmos por mais uns pedacinhos da Ásia... Nem cheguei a pisar na Índia porque um documento que fiz requisição com sete meses de antecedência chegou atrasado, mas finalmente andei de elefante na Tailândia!!! Foi super emocionante!!! Eles são grandes, altos e gordos mas extrememnte dóceis... Adorei!!! E a minha coleção de experiências exóticas está superando todas as minhas expectativas!!! Depois de passarmos por experiências urbanas, mas nem por isso menos interessantes, em Singapura e Hong Kong... Finalmente chegamos ao Oriente Médio! Difícil descrever um povo de cultura tão completamente diferente da minha... Eu, acostumada a ver mulheres de fio dental na praia e na TV, me vejo fascinada com mulheres que não mostram mais do que o branco do olho, cercado por uma maquiagem impecavelmente misteriosa... Além dos olhos, o que se vê são mãos enfeitadas com tatuagens, anéis e unhas decoradas... O pouco que se pode mostrar é pra fascinar... Os homens aprenderam que já que as mulheres só podem mostrar os olhos, são eles o principal meio de comunicação!!! Nunca vi olhares tão penetrantes e comunicativos na vida!!! Pra quê conversar?!? Eles usam os olhos e se entendem... E se você pensa em deixar a barba crescer, aprenda como mantê-la impecavelmente aparada com os homens do Oriente Médio!! Se não puder vir aqui conferir pessoalmente, use o Google e YouTube... Mas não deixe de observá-los! Tudo é fora do usual... Constroem cidades monumentais, como Dubai, no meio do deserto... Tudo parece desafiar o fato de estarmos cercados de areia, e mais areia... Desafiam o deserto, construindo pistas de patinação no gelo, fontes de águas que dançam de acordo com a música... Prédios que parecem ter pulado de revistas em quadrinho futurísticas... Ao mesmo tempo em qua há uma liberdade arquitetônica impressionante, as pessoas são totalmente cercadas por "regras de comportamento"... Na porta do maior Shopping Center do Mundo há placas que "segerem" que você use roupas que cubram no mínimo seus ombros e joelhos... Manifestações de afeto em público, como segurar nas mãos, não são bem vistas entre pessoas de qualquer opção sexual, idade ou cor de pele... A tecnologia é futurística, mas o governo controla o uso de meios de comunicação, como o Skype... Ninguém por aqui tem autorização para usá-lo... Quanto mais observo, mais questiono o modo como eu vivo... O quanto eu seria diferente se simplesmente tivesse sido criada em outro lugar do mundo... Os conceitos que na minha sociedade parecem tão engessados... Como conceitos de beleza, liberdade, relacionamento, sedução, comunicação... Tudo é questionável... Se no Caribe as mulheres bronzeiam a pele pra ficar bonitas, na Ásia as mulheres usam cremes para clarear a pele... Quanto mais branco transparente, melhor! Se no Brasil as mulheres andam peladas pra seduzir, no Oriente Médio elas se cobrem... Quanto mais camadas de tecidos belíssimos, brilhantes e bordados, melhor... Uma conclusão, nada final, a que cheguei é que esse mundo é uma doidêra! Se criada em outro lugar, eu seria muito diferente! Veria tudo com outros olhos, sentiria outros sentimentos, pensaria outros pensamentos... Dentro de uma mesma sociedade já vemos discrepância gigantescas entre famílias que moram na mesma rua! Geram filhos que foram criados de forma diferente, que um dia se casam e têm que se adaptar um ao outro em amor... São dois mundos tentando habitar em um mesmo meio sem destruir um ao outro!!! E essa constante adaptação nos é exigida a todo tempo... No trabalho, na família, na igreja que freqüentamos, na escola, na fila da padaria, no ponto de ônibus, na sala de espera do dentista... Todo o tempo! Claro que em algumas situações fazemos tão espontaneamente que nem notamos... Em outras a coisa é mais complicada... Mas o meu desafio pessoal, após essa tempestade de culturas extraordinariamente opostas a minha, é manter meu coração aberto! Aberto a entender que ninguém é o que é por acaso... E que sempre posso aprender com o semelhante não tão parecido comigo à primeira vista... Há sempre uma história por traz de cada pessoa, de cada lugar, cada monumento, cada símbolo cravado na parede, cada rabisco na pedra... E essas histórias me fascinam! Outro dia, enquanto me encantava visitando Petra, fiquei embasbacada com as ruínas de uma cidade que se construiu literalmente "dentro" das pedras!!! Não sou muito boa em dados históricos, e provavelmente a imagem que muita gente tenha do lugar sejam as cenas de Indiana Jones filmadas lá... Mas o que me chamou a atenção, além da beleza natural do lugar, foi a ideia daquele povo! Há sei lá quantos anos, um povo teve a brilhante ideia de escavar, quebrar e moldar pedras, sem movê-las do lugar para construir uma cidade inteira... Cavernas que seriam casas, túmulos, restaurantes, bares, teatros... Eles não tiraram as pedras do caminho, mas se adaptaram... Literalmente moldaram... Pedras e uma sociedade... Que de acordo com a intensidade das chuvas, dos ventos e do tempo ía mudando de cor pela deterioração dos materiais que as compunham... Pedras mudam assim como pessoas... Umas com mais areia mudam-se mais rapidamente, outras com mais minérios levam anos e umas boas marretadas para mudar... Mas seeeeempre mudam! Deus pode usar a inteligência humana para moldar pedras... Pode usar os fenômenos naturais... O tempo, o clima, a chuva... E o que mais lhe der vontade... Assim como Ele pode usar para mudar pessoas... Pode usar outras pessoas... Pode usar o meio onde vivemos... Pode usar o tempo... Mandar sofrimentos como picaretas... Relacionamentos como lixas... Lágrimas como chuva... Amor como brisa suave... E nos moldar... Há quem prefira se deixar moldar pelas coisas deste mundo, do "sistema"... Valores superficiais e passageiros, mas que no futuro se tornam ruínas visitadas apenas por ratos... Sem qualquer admiração ou história pra contar. Mas quem se deixa ser moldado por Deus, sempre há de ter algo a refletir... Pode até passar por momentos de ruína, mas será sempre visitado por alguém que aprenda com sua história... Servirá para expressão da glória dele... E naqueles lugares onde foi doloroso escavar uma porta, poderá servir de abrigo... Poderá servir como lugar de festa... Só pode ser moldado quem se expõe! Quem sai da sua caixinha... E do plástico de bolhas... Acho que deveríamos ter casas mais simples, carros mais populares, roupas sem etiqueta... Deveríamos investir mais tempo e dinheiro colocando mais a cara ao vento... Indo espiar novas histórias! Visitar amigos, vizinhos, amigos dos colegas que moram mais ali... Conhecer pessoas, suas histórias e seus lugares! Peço a Ele que continue a me moldar... Mesmo que meus olhos fiquem turvos com uma mistura de areia, lágrimas e dor... Quero muito que Ele faça de mim abrigo... Pra mim mesma... Pra quem tiver perto... Ou longe... E no processo... Continuarei a caminhar... E navegar... Rumos às Suas intenções!

5 comentários:

  1. Puxa Pri muito profundo e verdadeiro essa sua conclusão.Fiquei maravilhada com tanta riqueza de detalhes dessa informação cultural.Vc é incrívelmente maravilhosa.Te amo.

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  2. Escrevendo até morrer de amor! hehe

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